PASSEIOS EM HAVANA: roteiro, dicas e pontos turísticos

Havana é um daqueles lugares que possuem uma sintonia mágica e que oferecem uma experiência singular. Nunca vivemos nada parecido. A estética, a sonoridade, os sabores são muito marcantes. Os traços históricos, políticos e econômicos fazem dessa cidade uma das mais peculiares do mundo. Essa é uma viagem completa, seja para aqueles interessados em artes, história e centros urbanos, seja para aqueles interessados em aventuras, paisagens e praias, tem Havana para todos os gostos.

Parece que entramos no túnel do tempo quando desembarcamos no aeroporto. Os carros com modelos de décadas passadas, fachadas de prédios decadentes, casas antigas e a ausência de propagandas marcam a paisagem urbana.

A cidade é rica histórica e culturalmente, com influência européia, americana e africana, expressa nos hábitos, culinária e arquitetura. Esta última, aliás, é influenciada pelos estilos barroco, neoclássico, art nouveau, art déco e modernista. É tudo lindo de se ver, apesar da ausência de conservação em alguns lugares, especialmente em Centro Havana.

Em Havana Velha, entretanto, é grande e constante o trabalho de restauração. Foi para melhor desfrutar da cidade que nos hospedamos no coração de Havana Velha, a poucos passos do maior cartão postal da cidade: o Malécon, avenida litorânea que se estende por aproximadamente oito quilômetros,indo de Havana Velha até Miramar. Abaixo, narramos nossos passeios na capital cubana em 6 dias vividos intensamente.

1º Dia: Havana

Como chegamos em Havana já no final do dia, fomos passear pelas proximidades do hotel. Escolhemos como destino o Malécon, onde assistimos a um lindo pôr do sol e observamos como essa orla é integrada ao cotidiano dos habitantes.

O Malécon, avenida litorânea com 8km de extensão, constitui um autêntico ponto de encontro de “habaneros”, que se reúnem ali para namorar, beber, pescar, se exercitar, jogar conversa fora ou simplesmente contemplar o balanço do mar, que muitas vezes é revolto.

Depois dessa primeira experiência na cidade, caminhamos até a Calle Obispo, artéria de Havana Velha, onde se encontram galerias de arte, lojas, bares com música e pessoas que disputam as mesas dispostas nas calçadas.

Lá, nos deparamos com o histórico bar Floredita, aberto desde 1817 (Calle Obispo, n. 557, em frente ao Museu Nacional de Belas Artes), onde tomamos nosso primeiro mojito da viagem e curtimos um divertido som ao vivo, oferecido em quase todos os restaurastes e bares locais. A música, aliás, é um dos traços identitários de Cuba, marcada pela salsa, rumba, trova e reggaeton. A música surge em todos os lugares, feita e consumida por todos.

Continuamos nosso passeio pela célebre Calle Obispo e, por lá mesmo, escolhemos aleatoriamente um restaurante para jantar. Comemos uma deliciosa lagosta ao som de uma banda cubana animadíssima.

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As bandas se apresentam nos restaurantes, são simpático, conversam com o público e vendem seus CD’s, geralmente produções independentes.

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Os frutos do mar, principalmente a lagosta, são vendidos a preços muito camaradas e com excelente qualidade

2º Dia: Havana

Nesse dia realizamos a seguinte sequência de passeios: Plaza de la Revolución, Calle 23, Centro Cultural Cinematográfico Fresa y Chocolate, La Rampa, Hotel Habana Libre, Cine Yara, Sorveteria Copélia e Hotel Nacional.

Saímos do hotel de táxi oficial, tomando cuidado para não pegar um táxi clandestino, já que esses não ligam o taxímetro. Partimos direto para a Plaza de la Revolución. A Plaza é composta pela Biblioteca Nacional (onde vedada a entrada de turistas), pelo Memorial da Revolução e pelos Ministérios das Comunicações e do Interior, prédios que contam com imagens de Fidel Castro e Che Guevara.

Após muitas fotos, saímos da Plaza de la Revolución de cocotáxi, experiência única, em direção à Calle 23, onde localizado o Centro Cultural Cinematográfico Fresa y Chocolate.

Percorremos a Calle 23 andando, com direito a parada no Centro Cultural Cinematográfico Fresa y Chocolate e em supermercados locais. Foi interessante ver a disposição dos produtos nas prateleiras e a ausência de marcas e propagandas. Essa movimentada avenida atravessa o bairro El Vedado, outrora bairro da classe média da cidade. Ao fim da Calle 23, alcançamos La Rampa, outra avenida icônica de Havana, onde localizados diversos pontos turísticos, como o Hotel Habana Libre, Cine Yara e a Sorveteria Copélia.

Supermercado cubano: 

O Lendário Hotel Habana Libre (antigo Habana Hilton, rebatizado em 1960), antes símbolo do domínio econômico americano, foi tomado pelos revolucionários em 1959, tendo ali funcionado o quartel general da Revolução. Fidel Castro residiu por 03 meses na suíte 2324, de onde comandou passos decisivos da Revolução:

O Cinema Yara representa um ícone cultural de Havana, palco de inúmeras apresentações e projeções. Foi construído pelos arquitetos Emilio del Junco, Miguel Gastón e Martín Domínguez em 1947, sendo representativo do estilo modernista cubano. O Cinema fica em frente ao Hotel Habana Libre, também em La Rampa.

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Clássico Cine Yara

Sorveteria Copélia, localizada em uma praça nas proximidades do Hotel Habana Libre e do Cine Yara, reservada praticamente aos cubanos, com uma pequena parte aberta para os turistas (por isso ficamos inibidas para tirar fotos). Há sempre longas filas.

Após, fomos ao Hotel Nacional, onde almoçamos e desfrutamos de uma linda vista do mar e do Malécon:

À noite, por indicação de um funcionário do hotel, jantamos em um “paladar”, restaurante de particulares (os denominados “restaurantes” são administrados por redes estatais), chamado El Paladar. Ele ficava a poucos passos do nosso hotel e o próprio dono foi nos conduzindo até a sua casa, em um peculiar prédio de moradia em rua paralela à Calle Obispo. Achamos o preço um pouco elevado em comparação aos demais. No entanto, a comida e a experiência ali, naquele pequeno apartamento com bar e cozinha improvisados, foram fantásticos.

3º Dia: Havana

Dedicamos esse dia para passear em Havana Velha. Visitamos o Hotel Ambos Mundos, localizado na Calle Obispo, onde o escritor norte-americano Ernest Hamingway morou por anos. Ainda nessa rua, paramos em padarias que vendem apetitosos doces. Flanamos pelas ruas, entramos em galerias, observamos o movimento das pessoas, tomamos café em varandas agradáveis, tudo isso sem qualquer pressa.

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Plaza de San Francisco

Feira de livro permamente na Plaza das Armas

Feira de livros usados permanente na Plaza das Armas

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Fomos à Plaza Vieja, paramos no Café El Escorial e subimos o prédio da Camara Obscura, de onde tivemos uma ampla vista de Centro Havana e do Malécon.


Chegamos até à Plaza de la Catedral, sentamos em varandas de café ao redor da praça, fomos ao tradicional bar Bodeguita del Medio e provamos o mojito mais famoso da cidade.

Foi nas redondezas da Plaza de la Catedral que encontramos, na nossa opinião, o melhor Paladar da cidade, o Doña Eutimia, onde voltamos várias vezes. Considero imperdível, com típicos pratos de frutos do mar servidos com banana frita e feijão.

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Manisfestamentos culturais na Plaza de la Catedral

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Plaza de la Catedral

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Uma das bandas cubanas que tocam nas calçadas dos bares, cafés e restaurantes da animada Plaza de la Catedral

4º Dia: Havana

Conhecemos Centro Havana. Lá, passamos pelo Captólio Nacional (que estava sendo restaurado). Visitamos a Real Fábrica de Tabaco Partagás, o Museu Nacional de Belas Artes, o Museu da Revolução, passeamos pela Calle San Rafael. 

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Captólio Nacional, construção mais grandiosa de Havana

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Fábrica de Tabaco Partagás, uma das mais antigas e famosas de Havana, em estilo neoclássico

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Bicicletáxi coletiva em Centro Havana

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Fachadas de Centro Havana

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Fachadas de Centro Havana

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Fachadas de Centro Havana

          

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Centro Havana

Almoçamos no San Cristobal Paladar (Calle San Rafael, n. 469), restaurante com decoração primorosa e, pra variar, com comida de excelência!

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A noite fomos assistir o show do lendário Buena Vista Social Club, em uma casa na Plaza Vieja. Foi uma noite emocionante, com o melhor da música cubana e muita dança.

 

5º Dia: Havana

Nesse dia, saímos um pouco da região central de Havana e conhecemos Miramar. Para tanto, contratamos um carro Chevy 1950, com um motorista super solicito que nos deu muitas dicas e nos levou à Fusterlândia, como ficou conhecido o bairro Jaimanitas depois das intervenções artísticas de cerâmica de José Fuster.

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Passeio de Chevy 1950 pelo Malécon até Miramar

Fusterlândia:

Ele nos deixou no Callejón de Hammel, no bairro Cayo Hueso:

 Almoçamos no Paladar La Guarida, onde foi filmado o filme Morango e Chocolate (Calle Concordia, 418). O prédio era fascinante, antigo e quase degradado. Confesso que sentimos um medinho ao entrar, parecia abandonado. Mas ao subirmos a escadaria e entrarmos no paladar nos transportamos para o cenário do filme. Aquele lugar era inacreditável!

Ao final do dia, por estarmos já bastante cansada, mas não totalmente satisfeitas, resolvemos fazer o Havana Bus Tour e além de passarmos por áreas já visitadas (Havana Velha, Centro Havana, Calle 23, Hotel Nacional, Hotel Habana Libre, Malécon, Miramar, fomos à bairros mais distantes e arrematamos o que consideramos o “básico” de Havana.

6º Dia: Havana 

Esse dia dedicamos para conhecer as Playas Del Este que fica nos arredores de Havana. Para tanto, contratamos um dos carros disponíveis no Malécon e voltamos de Havana Bus Tour. A ida de carro nos deixou um pouco inseguras, pois contratamos um motorista e ele chamou outro para conduzir o carro. No final, foi apenas uma impressão errada, mas não custa nada tomar um pouco de cuidado ou pegar alguma indicação no hotel, pois a distância é relativamente grande.

Visitamos a Playa Boca Ciega, de águas cristalinas, quentes, daquele azul caribenho e areia clarinha. Visivelmente é de arrancar suspiros, mas a permanência lá se tornou insustentável quando fomos atacadas por inúmeros mosquitos, sem falar no preço absurdo que cobram pelo simples fato de nos encostarmos em cadeiras de praia.

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7º Dia: Havana ⇒ Trinidad

Confira no post o que fizemos em Trinidad