BARCELONA: Park Güell e Eixample – Primeiro e segundo dia de viagem

PRIMEIRO DIA EM BARCELONA

Chegamos em Barcelona no finalzinho da tarde de 30 de setembro de 2014. Do aeroporto, seguimos de Aerobus (clique aqui para saber mais detalhes) até a Plaça de Catalunya. De lá, caminhamos pelo Passeig de Gràcia até chegarmos no cruzamento da Rua Valencia, rua onde se localizava nosso hotel: Hostal Argo. Andamos cerca de 1,5 km, mas nem sentimos.

Estávamos em Eixample, no coração de Barcelona, no meio de muita agitação, movimento e diversidade. Para nossa surpresa, a Casa Batlló, uma das famosas obras de Gaudí, ficava bem próxima da entrada da nossa rua. Passamos por ela logo na chegada e voltaríamos a passar inúmeras vezes. Achamos a região do hotel muito agradável.

Fizemos o check-in e saímos para passear. A primeira parada foi num dos inúmeros mercados tradicionais da cidade, o qual ficava exatamente em frente ao hotel: o Mercat De La Concepció. Sem grandes atrativos arquitetônicos, esse pequeno mercado conta com ótimos stands, com os populares sucos naturais, pães artesanais, presuntos catalães e cafés. Um passeio agradável longe de multidões de turistas. É um mercado de bairro, com vida própria e preços convidativos. Voltamos nesse mercado todos os dias que estivemos em Barcelona. Era lá que tomávamos nosso café da manhã, no cativante Barbacoa. 

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Mercat De La Concepció

Barcelona tem vários mercados. A diversidade de produtos, de cores e aromas, somados à alegria e simpatia das pessoas que por eles circulam, transformam esses mercados num delicioso e prazeroso passeio. Eles também são excelentes lugares para se conhecer um pouco da cultura local.

Para finalizar o dia, jantamos em uma casa de mexilhões, a La Muscleria, no mesmo bairro, o Eixample. Dois tapas, um prato de mexilhões ao forno e três cervejas custaram € 32,00. Aproveitamos para provar a famosa patata brava, que recebe esse nome devido ao molho bastante apimentado. Foi aprovada, uma delícia. Tomamos ainda a popular cerveja catalã: Estrella.

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SEGUNDO DIA EM BARCELONA

Tínhamos como meta conhecer nesse dia o Park Güell, Las Ramblas e o Mercat de La Boqueria. A primeira providência, no entanto, foi tomar um reforçado café da manhã no Barbacoa, localizado no Mercat La Concepció. Pedimos no balcão café com leite, acompanhado de bocadillos de queijo e tomate. Ele serve também tortilhas e refeições completas logo cedo. Os hábitos à mesa dos catalães são bem diferentes dos nossos.

Barbacoa, localizado no Mercat La Concepció

Barbacoa, localizado no Mercat La Concepció

Após, nos direcionamos para uma estação de metrô e compramos o passe T-10, que dá direito a 10 passagens nos transportes públicos de Barcelona (narramos sobre transporte em um post específico, clique aqui). A compra foi simples, numa das máquinas da estação. Como o Park Güell era bastante longe, no Distrito de Gràcia, não podíamos ir andando. A linha que faz o percurso é a L3 (cor verde) e a estação de parada é a Lesseps. Esta estação é um pouco distante do parque, tivemos que andar mais ou menos 1km e subir algumas escadas rolantes.

Ao chegarmos ao parque, nos direcionamos imediatamente para a fila de venda dos ingressos, já que o horário de entrada na parte central, conhecida como Zona Monumental, é agendada e restrita. O valor para o ingresso nessa zona era € 8,00. Compramos nossos ingressos para as 12h15, tivemos que aguardar por uma hora. Enquanto esperávamos, aproveitamos para passear nas outras partes do parque, de acesso gratuito. Por sinal, o restante do parque é muito bonito e arborizado, com vários caminhos a percorrer. Um deles confere acesso a uma linda vista panorâmica da cidade.

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Park Güell  começou a ser construído em 1900 e nunca foi finalizado. O projeto foi encomendado a Gaudí por Eusebi Güell, com a intenção de criar uma urbanização para famílias abastardas nesse grande terreno localizado na Montanha Pelada, como era conhecida popularmente a área. Güell pretendia recriar os exclusivos condomínios britânicos, tanto que o parque foi batizado em inglês como Park Güell. Essa era uma área privilegiada, afastada do centro da cidade.

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As dificuldades na construção do parque foram se acentuando, notadamente devido à complexidade do projeto e à falta de transporte adequado. Em 1914, a obra foi paralisada. Depois da morte de Güell, seus herdeiros doaram o parque à Autarquia de Barcelona e, em 1936, ele foi aberto como parque público. Em 1984 o parque foi declarado Patrimônio Mundial pela Unesco. Além da enorme quantidade de turistas, os habitantes locais utilizam bastante o parque como lugar de lazer.

Os dois pavilhões da foto abaixo formam a portaria do parque. Ambos são revestidos em cerâmica partida. Essa técnica é conhecida como trencadís e era bastante apreciada por Gaudí. Consiste em revestir superfícies com pequenas peças de cerâmica, originárias, geralmente, de demolições e objetos em desuso. A da direita é uma livraria e lojinha de souvenirs. Ela foi concebida para ser a recepção dos visitantes e a sala de espera. A da esquerda é a Residência do Porteiro, atualmente abrigando parte do Museu de História de Barcelona. Para entrar nela é necessário pagar um ingresso à parte e a fila é enorme, o que nos fez desistir. Preferimos entrar somente na loja ao lado, um ótimo exemplar desse estilo modernista catalão, que tem na figura de Gaudí um dos seus maiores representantes.

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Na foto abaixo temos a Sala Hipostila, que foi concebida para abrigar um mercado. O teto é formado por cúpulas construídas com a técnica da abóbada catalã (várias camadas de mosaico com flexibilidade para adotar múltiplas formas). Lá existem 88 colunas inspiradas em estilos clássicos.

Sala Hipostila ou Sala de Colunas

Sala Hipostila ou Sala de Colunas

Sala Hipostila vista de fora. Acima esá a praça e os bancos de cerâmica.

Sala Hipostila vista de fora. Acima está a praça e os bancos de cerâmica.

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Bancos de cerâmica da Sala Hipostila

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Praça acima da Sala Hipostila

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O universo simbólico do parque é bastante rico. Muitas interpretações já foram feitas para essa construção, ligando influências da Grécia Clássica, da tradição cristã e do patriotismo catalão. Além disso, o parque é símbolo da ambição das elites industriais de Barcelona do final do século XIX e início do XX.

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Escadaria Monumental

Salamandra ou dragão localizado no centro da Escadaria Monumental

Salamandra localizada no centro da Escadaria Monumental

Passamos aproximadamente 3 horas no Park Güell. Saímos de lá e fomos direto ao Mercat de la Boqueria, localizado em Las Ramblas. Esse mercado é um espetáculo de cores e aromas. Ver as inúmeras barraquinhas de sucos e de frutas é um show para os olhos. Ele é considerado o primeiro mercado municipal, inaugurado em 1840. Atualmente, é o mais turístico.

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Mercat de La Boqueria

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Mercat de La Boqueria

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Fizemos uma rápida pesquisa de preços para o almoço nesse mercado. Achamos tudo muito caro e extremamente turístico. Já tínhamos lido antes que essa região de Las Ramblas é desaconselhada para refeições. Chocadas com os valores, apenas tomamos no mercado um daqueles maravilhosos sucos de frutas, um de morango com coco e outro de melão com hortelã. Deliciosos e refrescantes!

Saindo do mercado, resolvemos almoçar no Café Viena, ainda em Las Ramblas. É uma lanchonete histórica, com bela decoração e preços camaradas.

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Após o almoço, passeamos em Las Ramblas, a rua mítica do centro de Barcelona. Ela faz ligação entre o porto e a Plaça da Catalunya. É bastante movimentada, concentrando habitantes, turistas e vendedores. Apesar de ter fama de perigosa atualmente (nos aconselharam a não andar por ela depois das 23h00), já foi considerada uma elegante rua da burguesia. Não vimos nada de ameaçador, mas uma pouco de atenção não faz mal a ninguém.

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Las Ramblas

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Las Ramblas

Seguimos então para a Plaça da Catalunya, central em Barcelona. Maior praça da cidade, ela faz ligação entre a parte antiga (bairro gótico) e o Eixample. De lá, partem importantes avenidas, como Las Ramblas e Passeig de Gràcia.

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Da Plaça da Catalunya, descemos então o Passeig de Gràcia, olhando a arquitetura e as elegantes lojas. Uma caminhada agradável, com diversos prédios notáveis. Lá, concentram-se muitos exemplares do modernismo catalão, como a Casa Batló, Casa Amatller, Casa Fuster e La Pedrera.

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Paramos na Casa Batlló, número 43, mas não tivemos coragem de entrar. O valor era altíssimo (€ 19,00). Ficamos impressionadas com os preços em espaços turísticos nessa cidade, principalmente no que se refere às obras de Gaudí. Todos exorbitantes.

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Casa Batlló

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Casa Amatller, ao lado da Casa Batlló

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Casa La Pedrera, que estava com a maior parte da fachada coberta devido a uma restauração.

À noite, jantamos no De Tapa Madre, próximo ao nosso hotel, em Eixample. O ambiente era ótimo, agradável. A paella era muito boa, servida na panela, recheada de mariscos frescos. Dava para duas pessoas. Comemos ainda tapas: bolinhos de bacalhau e camarões ao alho e óleo. A refeição, somada a duas cervejas, custou € 44,00.


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