BÉLGICA: UM MERGULHO NAS CERVEJAS – BRUXELAS

A Bélgica é um paraíso para cervejeiros. O país produz mais de 1500 rótulos, com diversos modos de preparo e múltiplos ingredientes. Degustamos muitas delícias nas viagens para BruxelasBruges. Por muita sorte, fomos a um festival de cerveja nesta última cidade, quando, por dois dias, pudemos aprender um pouco sobre essa arte secular.


BRUXELAS

Visitamos Bruxelas meses após Bruges. Estávamos com o paladar renovado, pronto para novas degustações. A cidade oferece bares animados e uma noite efervescente. Foi necessário muita disposição e um roteiro básico de locais que queríamos conhecer.

Após visitar o Manneken-Pis, avistamos nas proximidades o Poechenellekelder (Rue du Chéne, 5), um bar com atmosfera maravilhosa. Bem decorado, tem ambiente com mesas de madeira, marionetes penduradas e paredes repletas de homenagens ao Manneken-Pis. Oferece cervejas especiais, com ótimo serviço. Ao fundo, tocavam músicas antigas, estilo rock e blues americanos da década de 1950. O público era variado, de famílias a grupos de jovens. É frequentado predominantemente por turistas e oferece cervejas com preços de €3 a €39.

Tomamos ali três cervejas pelo valor total de €10. As escolhidas foram as seguintes:

  • Lupulus: uma blonde com 8,5% de teor alcoólico, cujo chopp era vendido a €3,40. A cerveja é deliciosa: suave, maltada, aromatizada, perfumada e cremosa, tem leve amargor final.
  • Taras Boulba: uma blonde com 4,5% de teor alcoólico, cujo chopp era vendido a €3,20. Dourada e com aspecto turvo, é uma cerveja não filtrada, nem pasteurizada.  Tinha sabor marcante de grãos tostados, com característico amargor. Não me agradou, mas soube que em garrafa tem sabor melhor.
  • St. Bernardus Blanche: uma perfeita blanche com 5,5% de teor alcoólico, cuja garrafa custou €3,40. Essa cerveja de trigo é aromatizada, suave, cremosa, saborosa, levemente frutada. Mais encorpada e saborosa do que a concorrente Hoegaarden. Foi a melhor blanche das nossas vidas. Inesquecível.

Chopp da Lupulus  IMG_9615  Saint

Parede

Em seguida, almoçamos no Le Cercle des Voyageurs, localizado na mesma rua. A experiência no restaurante foi narrada em outro post. Ali, pedimos uma cerveja apenas:

  • A clássica Hoegaarden: famosa blanche belga, com 4,9% de teor alcoólico, custou €2,40. Leve, refrescante, com sabor levemente frutado e cítrico, foi servida com a usual rodela de laranja. É uma boa cerveja de trigo, ideal para acompanhar uma refeição ou aplacar o calor.

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No fim da tarde, fomos ao célebre café brasserie La Mort Subite, cujo nome remete a um jogo praticado pelos clientes no início do século XX. Essa brasserie oferece inúmeras cervejas locais, tomamos três apenas.

Fachada da brasserie La Mort Subite

Fachada da brasserie La Mort Subite

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A brasserie La Mort Subite possui um salão enorme, com pé direito alto e decoração art nouveau. Ficamos com a sensação de estar numa antiga e tradicional brasserie. Os garçons eram simpáticos e falavam inglês, mas o serviço era lento. As mesas eram compartilhadas, dispostas com muita proximidade. Nas paredes há espelhos enormes, além de posteres antigos de publicidade de La Mort Subite. O ambiente estava tranquilo, tendo um público mais velho, predominantemente de turistas. As cervejas não estavam muito geladas. Gostamos de conhecer essa brasserie, foi uma boa experiência.

 As cervejas escolhidas em La Mort Subite foram as seguintes:

  • La Mort Subite Blanche: uma das cervejas da casa, essa blanche custou €4,10. É uma cerveja de trigo aromatizada, com leve sabor de baunilha. Achei refrescante, cremosa e saborosa, embora fosse levemente enjoativa.
  • A clássica La Choufee: uma blonde com 6% de teor alcoólico, ao valor de €5,10. Maltada, encorpada e sutilmente frutada, tem leve amargor. Uma bela cerveja.
  • La Mort Subite Framboise: uma cerveja frutada a €4,60. Fiquei com a impressão de tomar um suco concentrado de framboesa, senti um levíssimo toque de álcool.

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No dia seguinte, ao final dos nossos passeios, fomos ao famoso Delirium. O bar oferece 27 cervejas em chopp (chamado também de “on tap”, pression, au fut ou draught), das quais experimentamos quatro. Anuncia, além disso, possuir 2500 rótulos em estoque e desafia os visitantes a levarem uma cerveja desconhecida pelo estabelecimento. Quem leva uma nova cerveja, ganha o direito de consumir aquele rótulo gratuitamente, sempre que for ao bar. Essa história, que ouvimos por lá, faz parte do marketing que tornou o Delirium um dos bares mais frequentados de Bruxelas. Tal marketing chegou com força em terras brasileiras, fato visível pela enorme quantidade de conterrâneos que encontramos por lá. Foi uma delícia ouvir nossa língua e compartilhar momentos com visitantes do nosso país.

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O Delirium conta com público jovem no térreo, onde localizado um balcão enorme, com música alta (DJ), pessoas bebendo em pé, muita animação, ambiente descontraído. Um público que orbita entre 18 e 30 anos. Nos outros andares, com mais mesas e calmaria, o público tem mais idade, mas não menos empolgação. É um bar democrático, há uma mesa para todos e todas. As paredes são cobertas por anúncios de cervejas, com algumas mesas de barril e máquinas antigas de produção de cerveja. Com pouco iluminação, é um bar agitado no térreo e tranquilo no primeiro andar.

Balcão do Delirium Café

Balcão do Delirium Café

Primeiro andar do Delirium Café

Primeiro andar do Delirium Café

Ficamos no térreo, onde não havia serviço nas mesas. Foi necessário ir ao balcão comprar as cervejas, balcão disputadíssimo. Abaixo, a sequência das cerveja que tomamos ali, todas em chopp:

  • Floris White, uma blanche com 4.8% de teor alcoólico, a €2,10 o copo. Extremamente suave, com leve aroma de laranja. Uma cerveja para um dia de calor, somente isso. Não achei marcante, meio aguada.
  •  Rulles Blonde, com teor alcoólico de 7%, a €3,60 o copo. Leve, com uma coloração dourada, é uma pilsen com amargor acentuado e sem aroma. Não curtimos, nada memorável.
  • Campus Premium, com 5% de teor alcoólico, a €2,00 o copo. Uma blonde suave, com levíssimo amargor, muito refrescante. Com coloração dourada translúcida, é pouco maltada e aromatizada, uma cerveja hiper leve. Também não marcante.
  • A clássica Delirium Tremens, com 8,5% de teor alcoólico, a €3,40 o copo. Foi eleita melhor cerveja do mundo em 1998 no World Beer Champioship em Chicago. Já tínhamos experimentado em Bruges, mas repetimos porque estávamos no bar dessa cerveja. A experiência foi maravilhosa, confirmou nossas primeiras impressões. Como dito anteriormente, é uma Belgian Strong Ale deliciosa. Verdadeiramente soberba, a cerveja é aromatizada (um levíssimo toque de abacaxi), maltada, com sabor marcante e sem amargor.

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Paramos nessa e seguimos para jantar na mesma rua. Fiquei um tanto decepcionada com o bar Delirium, por causa da expectativa mesmo, confesso. É um bar ótimo, mas fui com uma imagem surreal. Era tanta gente, fazia calor, tive dificuldades para alcançar o balcão para pedir… talvez eu apenas esteja ficando velha.

[Em andamento]


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