BUDAPESTE: Chegando na capital da Hungria

Contextualizando Budapeste

Budapeste, capital da Hungria, é uma grande cidade, bastante populosa e cosmopolita. O rio Danúbio divide Buda (margem direita) de Peste (margem esquerda), antigas cidades que tiveram sua fusão em 1873.

Buda é mais antiga, remonta ao período medieval. Cravada em uma colina, Buda é bem mais tranquila do que Peste. É lá onde fica o Palácio Real, que hoje abriga a Galeria Nacional da Hungria, o Museu da História de Budapeste e a Biblioteca Nacional. Em Buda se encontram também a Igreja Matias, o Museu Hospital-Bunker, a Sinagoga Medieval, casas em estilo barroco e renascentistas, além dos famosos banhos termais.

Buda vista de Peste

Buda vista de Peste

Do lado Peste ficam o suntuoso Parlamento, o bairro judeu, o Museu de Belas Artes, a Catedral São Estevão, a Praça Vörösmarty e muita agitação, especialmente noturna. Entra as duas, encontra-se a Ilha Margarida, com jardins e parques.

Peste vista de Buda

Peste vista de Buda

A Hungria já esteve sob o domínio de turcos, austríacos, alemães e soviéticos, indo às ruínas por várias vezes. Com a Primeira Guerra, o império Austro-Húngaro acabou e a Hungria perdeu parte do seu território. Depois desse episódio, com a finalidade de recuperar a parte perdida, a Hungria se aliou à Alemanha. No entanto, mesmo com o apoio durante a Segunda Guerra, Hitler ocupou o território húngaro em 1944. Durante essa ocupação, quase 500 mil judeus húngaros foram deportados pelos nazistas para Auschwitz, um extermínio em massa.

No final da guerra, a União Soviética expulsou da Hungria as forças do Terceiro Reich, passando a exercer forte influência na região. Em 1949, após diversas reviravoltas políticas, a Hungria tornou-se a República Popular da Hungria, estado comunista associado à União Soviética. Não obstante, abre seu mercado ainda na década de 1970. Com a quera do Muro de Berlim, a Hungria atravessa um processo de democratização e apagamento do seu passado comunista, eliminando traços soviéticos. A partir de 2004 o país passou a fazer parte da União Europeia e atualmente atravessa uma virada ultraconservadora.

Uma rua em Buda

Uma rua em Buda


Nossa chegada em Budapeste

Fizemos uma viagem de três dias para Budapeste (11/09 a 14/09/2014). Voamos de Paris para Budapeste pela companhia EasyJet e pagamos individualmente 195,29 €, ida e volta. Como opção de hospedagem, descobrimos que alugar um apartamento seria bem mais barato do que um quarto de hotel e que era bastante comum essa opção na cidade. Reservamos o 4YOU Citycenter Apartments, no bairro judeu Erzsébetváros. Pelas três diárias, pagamos 166,50 €.

Nosso apartamento tinha um quarto com mezanino, uma cozinha equipada, um banheiro e uma sala de banho, todos em perfeitas condições, limpos e funcionais (fotos abaixo). O prédio era antigo e autêntico. Sua localização ofereceu uma excelente experiência, nos permitindo fazer a maioria dos passeios do lado Peste andando, embora tivesse um metrô ao lado. Fomos muito bem recebidas pelo proprietário, que mora em um prédio na mesma rua. Na chegada, tivemos que ir até seu prédio para que ele nos levasse ao apartamento alugado para o check-in. Ele nos explicou sobre os passeios na cidade, sobre o bairro, comércios, transporte, câmbio, nos deu guias, mapas e até um celular para entrarmos em contato, caso precisássemos. Ao final, marcamos o check-out por e-mail e ele ainda nos levou a uma feira que estava acontecendo no romkert Szimpla Kert.

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Chegamos em Budapeste no final da tarde de uma quinta-feira. No aeroporto compramos o Budapest Card 72 horas por 8.900 HUF (a moeda na Bulgária é o Florim. Na época da viagem 1 € correspondia a 315 HUF). O Budapest Card nos dava direito ao uso ilimitado do transporte público, entrada gratuita em alguns monumentos e descontos em outros.

Visto isso, pegamos o ônibus 200E do lado de fora do aeroporto e fomos até a estação de Metro Kőbánya-Kispest (linha 3). De lá, fomos até a estação Deák Ferenc tér (linha 2), fizemos a conexão e descemos em Blaha Lujza tér, ao lado do prédio onde nos hospedamos. O trajeto leva um pouco mais de uma hora.

Já instaladas, saímos para o nosso primeiro passeio. Passamos em uma casa de câmbio e trocamos o dinheiro. O dono do apartamento onde ficamos hospedadas nos disse que todos os estabelecimentos aceitavam euro, mas utilizavam uma taxa de câmbio desfavorável, sendo mais vantajoso usar o florim.

Tínhamos lido no nosso guia que o bairro judeu era muito animado e resolvemos ficar por lá naquele dia. O bairro, com aparência um pouco desgastada, passa por um processo de gentrificação e tornou-se um dos mais atraentes da cidade. As ruas possuem forte história, marcadas pela experiência do holocausto. Durante a Segunda Guerra Mundial, cerca de 90% dos judeus da Hungria foram assassinados.

Nesse bairro localiza-se o Museu Judeu, centros de arquivos da história judia na Hungria, sinagogas e muros do antigo gueto. Como teríamos pouco tempo e acabávamos de ir à Praga, onde visitamos detalhadamente todo o bairro judeu, optamos por não nos deter aos lugares relacionados à cultura judia em Budapeste. Com pesar, preferimos acreditar que esse seria um dos motivos para voltar à cidade.

Desse modo, apenas passeamos pelas ruas e vimos as fachadas. Passamos em frente à Grande Sinagoga e paramos no Liter Bar para descansar. Chovia bastante e estávamos com muita fome. Pedimos duas cervejas (660 HUF) e uma quesadilla de chili (1390 HUF). As cervejas eram uma Kobel e uma Dreher, ambas pilsen. Esse era uma bar com ambiente rock-in-roll, música ao estilo, paredes grafitadas em preto e branco. Os clientes eram todos homens, nós éramos as únicas mulheres. Depois de uns 20 min. entraram mais duas. O bar era muito agradável, bonito e estiloso. A comida era deliciosa e barata.

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Ruas do bairro judeu Erzsébetváros

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Tradicional Café New York no bairro judeu Erzsébetváros

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Grande Sinagoga de Budapeste

Em seguida, andamos até a rua Váci, um piéton (rua de pedestre) com edifícios da Belle Époque. Nessa caminhada, andamos até as margens do rio Danúbio e tivemos uma linda imagem dos monumentos e pontes iluminadas.

Rua Váci

Rua Váci

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Margens do rio Danúbio com o Monte Gellért ao fundo. No topo do monte, a estátua da Liberdade.

Retornamos, então, para o bairro judeu para conhecer os famosos romkerts (pubs ruínas), marca da noite de Budapeste. Eles são localizados em lugares abandonados e possuem uma decoração bastante peculiar e até teatral. Além de funcionarem como bar, são um centro de cultura, acolhendo concertos, exposições, filmes e feiras. A maioria se encontra no bairro judeu. Pegamos um roteiro e conseguimos conhecer dois em uma só noite. O primeiro deles foi o Szimpla Kert, o mais antigo, bonito, famoso e turístico, porém, não menos encantador. De lá seguimos para o Ellató Kert, na mesma rua Kazinczy.

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Fachada do Szimpla Kert

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Uma das salas do Szimpla Kert

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Pátio do Szimpla Kert

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Entrada do Ellató Kert

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Bar do Ellató Kert

Para finalizar o dia, jantamos no Köleves, um charmoso e convidativo restaurante do outro lado da rua. Pedimos um camarão ao curry e uma massa ao pesto.

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A chuva e o cansaço nos mandavam voltar para o apartamento. Fomos andando e paramos em um mini supermercado 24horas ao lado do nosso prédio para comprar água. A região era bastante movimentada e andamos tranquilamente, apesar da chuva. O dia seguinte prometia. Budapeste se mostrava encantadora, cosmopolita e complexa.