PARIS: para além do circuito turístico – 12º arrondissement

Atualmente, moramos no desconhecido 12e arrondissement de Paris, localizado no sudeste da cidade, na rive droite (margem direita do Sena). Como nos mudaremos em breve, resolvemos dedicar um domingo para conhecer melhor esse distrito.

Fora do circuito turístico clássico, o 12e oferece um excelente ambiente para moradia. Gostamos tanto daqui que vamos nos mudar dentro do próprio arrondissement. Sairemos do quartier Picpus e vamos para o Quinze-Vignts. Como os outros arrondissements parisienses, o 12e é composto por quatro quartiers: Bel-Air, Picpus, Bercy e Quinze-Vingts.

Quartiers do 12e arrondissement de Paris12e arrondissement de Paris


Nosso passeio dominical

Domingo combina com mercado e, com esse pensamento, foi no Marché Beauvau-Aligre, principal mercado do 12e arrondissement de Paris, onde começamos o nosso passeio. Este mercado é composto por uma área coberta, chamada Marché Couvert Beauvau, e por uma área aberta, que abarca a Place d’Aligre e a Rue d’Aligre.  Abre todos os dias, salvo segundas. Aos domingos funciona das 8:30h às 13:30h.

Acordamos tarde, mas com muita vontade de passear. Embaladas, descemos no estação Lendru-Rollin, linha 8 do metrô. Após uma curta caminhada, alcançamos o Marché Couvert Beauvau, localizado entre a Rue Faubourg Saint Antoine e a Rue Charenton. Construído em 1779, esse mercado ficava no subúrbio de Paris, numa área então habitada por artesãos e pequenos comerciantes. Hoje, localizado dentro dos limites da cidade, permanece frequentado predominantemente pelos habitantes da região, que fazem filas nas lojas de alimentos dali. Aos domingos, os restaurantes nos seus arredores ficam cheios, há muito movimento e boas ofertas.

No mercado fechado notamos, de imediato, uma enorme fila que se formava na Boucherie et Charcuterie Michel Brunon. Não conhecíamos esse açougue,  mas depois descobrimos que seu sucesso é motivado pelas suas carnes maturadas, pelas carnes de porco e frangos criados em áreas abertas, da forma tradicional. Como a fila estava muito grande, não experimentamos os produtos. Ficamos apenas com vontade.

Centro do Marché Beauvau

Centro do Marché Beauvau, foco na Boucherie et Charcuterie Michel Brunon

Ao lado dessa boucherie, fica localizada a Fromagerie et Cave Pommier, loja especializada em cervejas e queijos. Há dezenas de rótulos, com destaque para as cervejas belgas. Ali, também encontramos peixarias (poissoneries), outras boucheries/charcuteries, patisseries, além de lojas de frutas, legumes e verduras. A estrutura do mercado é simples, nada arquitetonicamente memorável. O atrativo é a dinâmica desse animado mercado parisiense, repleto de produtos regionais.

Loja de cervejas   

Ainda nesse mercado, observamos fila na charcuterie Marie Lou, especializada em produtos regionais da Bretanha e de Auvergne. Enfim, são muitas opções, um bom lugar para passear e conhecer melhor alguns hábitos parisienses.

Em seguida, fomos ao mercado aberto da Place d’Aligre, que conta com enorme variedade de produtos. São roupas, verduras, antiguidades… um típico mercado de pulgas.

Marché d'Aligre  Marché d'Aligre

Na frente da praça, passa a Rue de Cotte, onde localizado o Le Chapolais, um charmoso bistrot fundado em 1905, com disputadas mesas na calçada. Ali, encontram-se também o K’fe Aujourd’hui e Le Baron Rouge, bares descolados e animados. O primeiro conta com um público jovem, enquanto o segundo, especializado em vinhos, é frequentado por clientes mais velhos, igualmente descolados.

Descemos então a Rue d’Aligre, onde continua o mercado até o encontro com a Rue Crozatier. Ali, na Rue d’Aligre, almoçamos na boucherie Les Provinces, dotada de bela vitrine, frangos giratórios na entrada e mesas coletivas ao lado do balcão de carnes. Bem decorada, a boucherie nos ofereceu uma experiência maravilhosa, regada pela cerveja corsa Pietra. Comemos carnes suculentas e memoráveis, num ambiente original e descontraído.

Les Provinces

Balcão de Les Provinces

Após o almoço, aproveitamos para conhecer a Promenade Plantée, caminho arborizado implantado nos antigos trilhos suspensos que levavam a Vincennes, contando com 4.7Km de extensão. Subimos pelo Viaduc des Arts, próximo à Opéra Bastille. Foi uma caminhada relativamente curta, nem sentimos a distância. Nesse ponto, o próprio Viaduc des Arts merecia uma visita. É uma bela galeria em arcos localizada abaixo da Promenade, com lojas, ateliers e galerias de artes.

Promenade Plantée

Promenade Plantée

Le Viaduc des Arts

Le Viaduc des Arts

Caminhamos pela Promenade até alcançarmos as proximidades da Gare de Lyon, nossa parada seguinte. Com bela arquitetura, essa é uma das sete gares de Paris. Lá, fica localizado o mítico restaurante Le Train Bleu, símbolo da Belle Époque. Reputado pela sua belíssima decoração, foi cenário de diversos filmes. Recentemente, foi reformado, ficou um tempo fechado por conta das obras, tendo reaberto em setembro de 2014.

Gare de Lyon

Fachada da Gare de Lyon

Nas redondezas da Gare de Lyon, encontra-se a pitoresca Rue Crémieux, cujos prédios e paralelepípedos a diferenciam das demais ruas do quartier. São prédios coloridos, com plantas nas calçadas, uma fofura. Um achado em meio ao cinza característico de Paris. Foi concebida em 1865 como uma rua de trabalhadores, um charme.

A charmosa e colorida Rue Crémieux

A charmosa e colorida Rue Crémieux

Com as pernas cansadas, seguimos de metrô para o Palais de la Porte Dorée. Descemos na estação Porte Dorée, linha 8. Esse palácio art-déco, construído para a Exposição Colonial Internacional de 1931, abriga o Aquarium Tropical e o Musée de l’Histoire de l’Immigration. O bilhete combinado, Aquarium e Musée, custa 8 euros sem exposições especiais. Visitamos apenas o museu e pagamos 4,5 euros.

Mus

Palais de la Porte Dorée

Afrescos do Palais de la Porte Dorée

Afrescos do Palais de la Porte Dorée

Logo na entrada ficamos impressionadas com os afrescos com temas coloniais, retrato de um período controverso. O museu foi igualmente surpreendente, gostamos bastante. Tem um rico acervo sobre a imigração na França, organizado de maneira interativa e didática. Para quem se interessa pelo tema, é visita indispensável.

Depois de umas 2 horas no museu, fomos ao Bois de Vincennes, localizado ao lado do Palais. Naquele parque enorme, com 995ha, encerramos nosso passeio. Ali, nos meses quentes, as pessoas fazem piquenique, passeiam de bicicleta, alugam canoas para navegar pelo lago (€12 a hora) e as crianças fazem fila pelo passeio de pônei. Também no Bois de Vincennes ficam localizados o  Zoológico de Paris, o Château de Vincennes e o Jardin Tropical de Paris. 

Lago do Bois de Vincennes

Lago do Bois de Vincennes

Outros bons destinos do 12e arrondissement:

– Opéra Bastille
– Parc de Bercy
– Bercy Village
– Zoológico de Paris
– Château de Vincennes
– Jardin Tropical de Paris