TOSCANA: onde os caminhos são o destino – SIENA

Empolgadas com a noite anterior no centro de Siena, acordamos ansiosas para explorar melhor essa cidade tão rica e fascinante. Pela manhã, deixamos o carro no B&B e pegamos um ônibus até um dos portões medievais da cidade. Queríamos ter mais liberdade sem nos preocupar com o carro, economizar as horas do estacionamento, bem como poder provar vinhos e cervejas ao longo do dia.

Descemos na Porta Romana, a mais bela porta medieval que vimos na Toscana.

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Uma das portas do muro medieval de Siena: Porta Romana

Com energias repostas, nos direcionamos à Torre del Mangia, que dos seus 87 metros de altura é considerada uma das mais altas torres medievais da Europa. Ela é a torre do Palazzo Pubblico, localizado na Piazza del Campo. Neste prédio funciona hoje a prefeitura de Siena.

Mais degraus nos esperavam… A entrada na Torre del Mangia custou 10 euros por pessoa, ingresso combinado com o Museo Civico. Para crianças de até 11 anos, a entrada é gratuita. Durante o inverno (16/10 a 28/02), a torre abre das 10h às 16h, com fechamento da bilheteria às 15h15. No verão (01/03 a 15/10), o funcionamento da torre ocorre das 10h às 19h, com fechamento da bilheteria às 18h15.

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O Palazzo Pubblico e sua torre majestosa na Piazza del Campo

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Parte da Piazza del Campo vista do alto da Torre del Mangia. De lá é possível também avistar a Fonte Gaia, que parece muito pequena na foto

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Vista de Siena a partir da Torre del Mangia

Dentro do Palazzo Pubblico, há o Museo Civico, com belos afrescos e outras obras de arte. Destaco especialmente o quadro Bom e Mau Governo, de Ambrogio Lorenzetti. Essa visita é incontornável.

Obra O bom e o mau governo, de Ambrogio Lorenzetti. A imagem foi aqui reproduzida de uma página na internet. No museu não era permitido o uso de máquinas fotográficas.

Como mencionado acima, o bilhete que compramos combinava a subida na torre e a entrada no museu. No Palazzo Pubblico há também uma estátua da Lupa, símbolo de Siena. Aliás, esse símbolo está presente em vários lugares da cidade. Representa o mito fundador da cidade.

Há duas versões para a fundação de Siena. De acordo com lendas antigas, ela teria sido fundada pelos gauleses. Contudo, segundo a mitologia romana, Siena teria sido fundada por um jovem romano chamado Sênio, um dos filhos de Remo (o fundador de Roma), que foi forçado a fugir de Roma em razão da ira do seu tio Rômulo (assassino de seu pai). Sênio teria levado consigo a imagem da loba e encontrou refúgio em uma colina com vista para o Rio Tressa. Ali, portanto, teria se estabelecido e construído um castelo (Castel Senio ou Castelvecchio), cujo entorno seria hoje Siena. Assim, a loba se tornou símbolo também de Siena, ao lado de Roma.

A loba símbolo da cidade amamenta os irmãos gêmeos Rômulo e Remo, fundadores de Roma.

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A loba amamentando Rômulo e Remo, símbolo de Siena

Quando saímos do Museo Civico, apreciamos os arredores da praça, a fachada do monumental Palazzo Pubblico e a Fonte Gaia. A praça tem formato de meia-lua e foi construída no século XII. Atualmente, está repleta de restaurantes e lojas. Também é nessa praça que acontece o famoso Palio de Siena, uma corrida de cavalo que remonta ao período medieval, atraindo milhares de pessoas anualmente.

No almoço, comemos um panini num mercado tradicional, localizado atrás do Piazza del Campo e em frente à Piazza Del Mercato.

A tarde fomos ao majestoso Duomo di Siena. A catedral data o fim do século XII e tem uma fachada em mármore branco, preto e rosa, seguindo o estilo gótico-romântico. Dentro, existem diversos afrescos e mosaicos do século XV. Tivemos muita sorte por ter visto os mosaicos do chão da catedral, expostos somente durante alguns meses do ano.

A entrada no Duomo di Siena é paga.  Compramos um bilhete que dava acesso também à Biblioteca Piccolomini (4,00 euros por pessoa). A beleza interna e externa dessa construção impressiona. A nave da Catedral é coberta por mármore banco e preto, as cores do brasão de Siena.

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Catedral de Siena

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Parte interna da Catedral de Siena

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Cúpula da Catedral de Siena, adornada como se fosse um sol

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Um dos mosaico do chão da Catedral de Siena

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Um dos mosaico do chão da Catedral de Siena

Púlpito d Catedral de Siena, feito em mármore de Carrara no ano de 1265, por Nicola Pisano e seu filho, Giovanni Pisano.

Púlpito d Catedral de Siena, feito em mármore de Carrara no ano de 1265, por Nicola Pisano e seu filho, Giovanni Pisano.

Biblioteca Piccolomini

Biblioteca Piccolomini

Siena é uma cidade mais agradável do que Florença, principalmente porque tem menos grupos turísticos. Por ter algumas universidades no centro, torna-se bastante animada, vivaz e com dinâmica própria. Pareceu bastante cosmopolita também.

Durante a tarde, passeamos bastante pelas ruas da cidade. Passamos por igrejas, becos estreitos, sorveterias. Foi uma delícia! Nossos olhos se enchiam de alegria e surpresa a cada esquina dobrada.

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Uma das ruas de Siena

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Foi em Siena que tomamos o sorvete mais caro de toda a Toscana, no Caffè la Costarella. Nos demais lugares, tomamos sorvetes entre 1,50 e 3,00 euros, enquanto que neste custou 6.00 euros. Inacreditável! O sorvete era muito bom, mas o valor não era nada justo.

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Estávamos com o jantar marcado para às 20h na Osteria del Gatto, recomendada pelo hotel e bem avaliada em sites de viagem. Pedimos a tradicional massa Pici e uma bisteca alla fiorentina. Nas outras cidades, com exceção de Florença, sempre que pedíamos esse prato os garçons avisavam que só vendiam 1,200 kg e, praticamente, se recusavam a vender para nós duas, considerando a grande quantidade. Dessa vez, o garçom não se opôs e resolvemos pedir a carne, mesmo ele tendo avisado que só podia vender uma peça inteira, que pesava 1,300 kg. Como estávamos encantadas com a bisteca provada em Florença, nos dispusemos ao exagero. Para nossa decepção, a carne veio completamente crua. A carne parecia ter sido congelada e estava dura, transformando nosso jantar num verdadeiro fiasco. De fato, não tivemos sorte na escolha da carne. A massa estava primorosa.

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Bisteca alla fiorentina completamente crua na Osteria del Gatto, Siena

Para completar nossa experiencia gastronômica mal sucedida, não conseguíamos sair do centro de Siena para o hotel. Os ônibus eram reduzidos depois das 21h. Até táxi era objeto de luxo nesse horário. Depois de andarmos bastante até a Piazza del Campo na chuva, conseguimos encontrar um motorista que se compadeceu com nossa situação.

Sobre nosso hotel, o B&B La Verbena, gostamos bastante da estrutura, do quarto amplo e do atendimento primoroso. Com gestão familiar, os proprietários são muito atenciosos, prestativos e educados, tendo nos fornecido muitas dicas sobre Siena, incluindo dicas de restaurantes. O café da manhã era muito bom, com variedade de bolos e queijos, tudo preparado com cuidado e no próprio local. Fica num bairro super tranquilo e silencioso, de frente para o campo, apesar de não ter uma vista ampla e espetacular. Tem estacionamento na parte da frente para quem está de carro, com ampla área. Apresenta uma boa relação custo/benefício. De pontos negativos, aponto: a localização não é central para turismo, fica a 10 min de ônibus ou carro do centro de Siena. O ônibus passa de 15 em 15 minutos, a parada é próxima. À noite, usamos táxi, a rua é de difícil acesso, pois fica num condomínio de casas. A cama não era muito confortável.