TOSCANA: onde os caminhos são o destino – SR222 E GREVE IN CHIANTI

Após um maravilhoso café da manhã com vista para os campos da Toscana, partimos de San Gimignano em direção a Siena. Nosso plano, traçado na noite anterior, era fazer uma parada em Greve in Chianti, cidade referência na produção de vinho, localizada na região de Chianti. Embora fosse contramão, considerando nosso ponto de partida, a parada foi motivada pelo desenho da Strada Regionale 222 (SR222), também chamada de Via Chiantigiana, estrada que corta a zona do clássico vinho do Chianti. Foi a melhor forma que encontramos para entrar nessa rota, cujo trajeto vai do sul de Florença até Siena.

Na programação original, esse dia estava inteiramente dedicado aos passeios pela famosa SR 222, reputada como uma das mais belas da Toscana. A intenção era conhecer as curvas, as vistas, sem horários rígidos.

Nos lançamos então nos verdes toscanos, sob um sol escaldante. De San Gimignano pegamos a SP1 em direção a Greve in Chianti, estrada que se transformou na SR2. Subimos alguns quilômetros até a SR222, que nos levou ao nosso primeiro destino. O caminho foi deslumbrante, com campos verdejantes, curvas sinuosas, muitas ladeiras, vistas e encantamento. 

Dois quilômetros antes da entrada de Greve in Chianti, encontramos o Castello di Verrazzano, uma das vinícolas mais famosas da região e que oferece tour com degustação (link do tour). Esta vinícola oferece diversas opções de tour, inclusive com refeições. Os preços variam bastante, indo de 10 a 58 euros.

Escolhemos o tour com degustação, o qual custava 16 euros. As reservas podem ser feitas no local ou por telefone. Paramos na loja e o marcamos para as 15 horas. Como ainda não era meio-dia quando chegamos, tivemos tempo suficiente para passear pela cidade.

Além do Verrazzano, existem muitas outras vinícolas na região que fazem tour com degustação. É possível fazer uma sequência de visitas.

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Loja do Castello di Verrazzano, antes de Greve in Chianti, onde marcamos nosso tour

Em Greve in Chianti passeamos pelas ruas e almoçamos no La Terrazza Oliosteria, restaurante localizado na Piazza Matteotti, principal praça da cidade. O restaurante era bom, mas nada especial. Valeu pela vista da praça e pela localização estratégica. Comemos dois pedaços de lasanha, tudo custou 27 euros. Nos arredores dali há inúmeras lojas de produtos toscanos. Visitá-las é uma excelente forma de conhecer um pouco da região. Gostamos especialmente da loja E Salumi Tipici, memorável.

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Piazza Matteotti, no centro de Greve in Chianti

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E Salumi Tipici, loja com produtos típicos da Toscana

E Salumi Tipici, loja com produtos típicos da Toscana

E Salumi Tipici, loja com produtos típicos da Toscana

Visitamos ainda a gigantesca Enoteca Falorni, mas não fizemos nenhuma degustação porque estávamos com o tour marcado no Verrazzano e Bruna estava dirigindo. Parece ser uma instituição na cidade.

O funcionamento da enoteca é bastante interessante. Carrega-se previamente um cartão, com o valor determinado pelo cliente, a partir de 10 euros. Esse cartão então possibilita ao cliente degustar os vinhos nas máquinas dispostas no salão. Os valores que sobrarem no cartão são devolvidos no final. Eles oferecem ainda um espaço com mesas, onde servem frios e acompanhamentos. O lugar é muito bonito, agradável e tem uma variedade enorme de vinhos, com destaque para os produtos do Chianti.

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Enoteca Falorni, Greve in Chianti

Às 15 horas, estávamos no Castello di Verrazzano. Aquele seria o momento em que entraríamos na paisagem que admirávamos há dias. Nem parecia real.

Durante o tour, fomos informadas sobre a produção, plantio, colheita, armazenamento e história do vinho. Passeamos pelas etapas de produção, com destaque para a sala de armazenamento em barris gigantes de madeira francesa. A degustação foi o momento final, quando aprendemos formas de tomar e harmonizar o vinho. Degustamos o Chianti Classico Riserva, Chianti Classico e o Rosé Verrazzano, acompanhados de vinagre balsâmico Verrazzano, azeite Chianti Classico DOP extra virgem, pão e queijo pecorino. A degustação aconteceu em um terraço coberto por videiras, com vista para os vinhedos. O tour teve duração de 1h30min e foi uma excelente experiência. Gostar de vinho depende de um aprendizado e ali descobrimos os caminhos. Afinal, até então éramos fiéis cervejeiras.

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Castello di Verrazzano

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Plantação de uva do Castello di Verrazzano

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Armazenamento de vinho no Castello di Verrazzano

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Degustação de vinho no Castello di Verrazzano

De Greve in Chianti seguimos para Siena pela SR222. O nosso percurso foi realmente encantador, com vinhedos, oliveiras, plantações de trigo, casinhas perdidas nos campos e pequenas cidades charmosas. A viagem é lenta. A estrada é estreita, cheia de curvas e com paradas inevitáveis. Afinal, é impossível não parar em cada bela vista que desponta.

Paisagens de SR222 com vinhedos

Paisagens de SR222 com vinhedos

Paisagens de SR222 com oliveiras e ciprestes

Paisagens de SR222 com oliveiras e ciprestes

Chegamos em Siena no final do dia. Ainda estava claro por causa dos longos dias na Europa durante a primavera. Fomos direto para nosso hotel, o B&B La Verbena e fizemos nosso check-in.

Saímos de carro para jantar em Siena, seguindo sempre o mesmo esquema: estacionando nas proximidades do muro antigo. É proibida a entrada de veículos não autorizados no centro da cidade. Foi lindo ver a cidade à noite e acertamos em cheio no restaurante: La Sosta de Violante Osteria.

Sem muita pretensão, escolhemos esse restaurante para nosso primeiro jantar ali, seguindo uma das sugestões do hotel. O ambiente é charmoso, aconchegante, com iluminação indireta. Sentamos na calçada, a noite estava com clima agradável. O atendimento foi muito atencioso e simpático, nos sentimos muito bem. Quando a comida chegou, tivemos a certeza da escolha certeira: DELICIOSA! Foi uma das melhores refeições da nossa viagem de 17 dias pela Itália. Os pratos foram cuidadosamente preparados, harmonizados, com ingredientes frescos. Além disso, foi inacreditavelmente barato, tornou difícil irmos em outro restaurante em Siena. Foi o melhor restaurante que fomos na cidade e sempre nos lembramos dessa deliciosa refeição. O local é simples, despretensioso e surpreende pela qualidade da comida.

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Pelo pouco que vivenciamos de Siena nessa noite, percebemos que a cidade tem vida independente do turismo local, talvez por ser um centro maior do que as cidades visitadas anteriormente na Toscana, com exceção de Florença. Inclusive, essas duas cidades disputaram a hegemonia política, econômica e cultural da Toscana por anos a fio. Quem foi beneficiada por essa disputa fomos nós, que ficamos encantadas com tantas obras maravilhosas!