TOSCANA: onde os caminhos são o destino – San Gimignano e Volterra

San Gimignano

Mantivemos o compromisso de acordar cedo e às 8h já estávamos tomando nosso café da manhã. Saímos de Lucca em direção à San Gimignano, seguindo sempre por vias secundárias. Foram 124km e lindas paisagens pela janela. Escolhemos um trajeto mais longo, mas que nos permitiu uma boa amostra do que nos esperava pela frente. Começamos a avistar em maior quantidade os ciprestes, os rolos de fenos e os campos montanhosos.

Nossa chegada foi anunciada quando avistamos a cidade de longe, no topo de um monte, com suas torres soberanas.

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As torres de San Gimignano vista de longe, pela janela do carro.

Quando chegamos à cidade, fomos direto para o centro histórico. Antes, paramos o carro no estacionamento externo ao muro. Como na maioria das cidades históricas da região, a circulação de carros é proibida ou permitida apenas para moradores que possuem a permissão para trafegar. O estacionamento em San Gimignano é pago e cobrado por hora, sendo necessário retirar o bilhete em uma máquina no ato da chegada. Na saída, apresentamos o bilhete na mesma máquina e efetuamos o pagamento.

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Bilhete do estacionamento

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Máquina do estacionamento

San Gimignano é famosa por suas inúmeras torres, que eram construídas como disputa entre famílias para medir o poder politico e aquisitivo. Atualmente o número de torres se reduziu a quatorze. No geral, a cidade é um encanto, figurando entra as mais bonitas e visitadas da Toscana. A rua principal, Via San Giovanni, que desemboca na Piazza della Cisterna, é repleta de lojas e abarrotada de gente. No entanto, o movimento maior se resume ao período diurno, pois geralmente as pessoas vão à San Gimignanno apenas de passagem, voltando para a “base” a noite.

Um dos portões do muro medieval de San Gimignano

Um dos portões do muro medieval de San Gimignano

Via San Giovanni, principal rua de San Gimignano

Via San Giovanni, principal rua de San Gimignano

Como tenho um fraco enorme por vistas, quase uma obsessão, não resisti à uma subidinha básica em uma das torres. Assim que chegamos à San Gimignano, nos direcionamos para a Torre Grossa, a mais alta da cidade e a única aberta ao público. De lá é possível ter a mais bela vista da região, composta pelas construções de pedra, pelos campos com vários tons de verde e montanhas.

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Vista do alto da Torre Grossa. à frente, as Le due Torri Gemelle

A Torre Grossa possui 54m de altura e data o ano de 1300. Ela fica localizada na Piazza del Duomo, entre a igreja e o Palazzo Comunalle (atualmente sede da prefeitura). O bilhete para a torre também permite o acesso ao Museu Cívico, que achamos interessante, mas nada surpreendente (7,50 euros por pessoa).

Torre Grossa localizada entre o Palazzo Comunale (prefeitura) e a igreja, na Piazza del Duomo

Torre Grossa localizada entre o Palazzo Comunale (prefeitura) e a igreja, na Piazza del Duomo

Há alguns passos dali fica a Torri dei Salvucci ou as due Torri Gemelle (torres gêmeas), situadas também na Piazza del Duomo. Estas estão entre as torres que resistiram ao tempo e recebem esse nome porque ficam uma ao lado da outra e são praticamente iguais.

Le due Torri Gemelle

Le Torri dei Salvucci, ou as due Torri Gemelle (torres gêmeas), situadas na Piazza del Duomo

A cidade é muito pequena, permitindo um giro completo em pouco tempo. Ao passarmos da Piazza del Duomo, seguimos para a Piazza della Cisterna. Essas são as duas praças mais importantes da cidade, as quais concentram nos arredores as principais atrações. Foi lá na Piazza della Cisterna que almoçamos uma deliciosa lasanha ao molho pesto no restaurante Torre Guelfa. Dois pedaços de lasanha, o outro foi bolonhesa ao forno, e uma cerveja média custou 30,50.

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Piazza della Cisterna, com várias pessoas ao redor tomando o “melhor sorvete do mundo”

É também nessa praça que se encontram as famosas sorveterias Gelateria del Piazza – Gelateria Dondoli e a Gelateria Del Duomo, que disputam o título de melhor sorvete do mundo. Entre as duas, ficamos com a Del Duomo. O sorvete é realmente especial, tanto que voltamos à praça no outro dia exclusivamente para tomar outro(s) sorvetes.

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Andar pelas ruas de San Gimignano é tão mágico que nem parece real. Bordear o muro olhando os campos ao lado é de arrepiar. E como a cidade é um pouco mais elevada, ela te oferece paisagens de um ângulo privilegiado. Uma peculiaridade da cidade, além das torres e de tudo já descrito, são as construções em pedras. Todas as fachadas e telhados possuem mais ou menos a mesma tonalidade, coloridas apenas pelas flores nas janelas.

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Vista dos campos ao redor de San Gimgnano e das casas em pedra. Foto tirada do muro medieval da cidade.

Depois das 15h fomos fazer o check-in no Hotel Agriturismo Il Castagnolino. Nossa intenção era retornar e ver o movimento da cidade à noite. No entanto, esse charmoso hotel fazenda nos conquistou de tal forma que preferimos ficar o restante do dia lá. Essa era nossa primeira experiência em um hotel com essa proposta. Achamos muito autêntico ao que se propõe e bastante acolhedor. Ele tinha plantações de oliveiras, produção de azeite, tranquilidade, muito verde, jardim florido, compondo um inacreditável sonho na Toscana. Os anfitriões eram muito atenciosos e simpáticos. Já sabíamos que Carmela cozinhava maravilhosamente bem e não tardamos em reservar nosso jantar. Tivemos uma experiência gastronômica única, o melhor da culinária toscana (oferece menu completo de jantar por 25 euros).

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Quarto do hotel

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A vista do nosso quarto no agroturismo

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Uma das dependência do agroturismo, onde se localizava nosso quarto

Os quartos são confortáveis, limpos e bonitos, o nosso tinha uma linda vista para o campo. A cidade de San Gimignano fica a uma distância de 3Km, o acesso é melhor para quem vai de carro. Não tivemos nenhuma dificuldade em encontrar o hotel.


Volterra

Nesse dia, fixamos base em San Gimignano e fizemos um bate e volta à Volterra, localizada a 30 Km dali, cidade cuja história remonta à civilização etrusca (aproximadamente  XII séculos a.c.). Seguindo a nossa programação de não pegar as rodovias, escolhemos uma estrada alternativa para ter vistas mais bonitas. Para nossa surpresa, depois de uns 10km, a estrada estava fechada. Pegamos um atalho que nos proporcionou, acredito, um dos trechos mais bonitos (e mais perigosos, com estradas altas e sinuosas) de toda a viagem. Durante o trajeto ficamos entre nos concentrar na estrada, bastante estreita e parar para tirar foto ao lado daqueles perigosos e irresistíveis penhascos.

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Entre San Gimignano e Volterra

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Entre San Gimignano e Volterra

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Entre San Gimignano e Volterra

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Entre San Gimignano e Volterra

Chegando à Volterra, passeamos livremente. visitamos lojas e galerias de alabastro (pedra parecida com mármore que compõe o artesanato local). nesse passeio, vimos o Palazzo dei Priori que inspirou o Palazzo Vecchio de Florença.

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Vista da cidade de Volterra e dos campos ao redor

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Lojas de alabastro em Volterra

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Palazzo dei Priori, Volterra

Fora dos muros da cidade, encontramos o Il teatro romano di Vallebuona (Anfiteatro Romano) e vestígios da civilização etrusca na Acropoli Etrusca. O mesmo bilhete dá acesso aos dois sítios e custa somente 3,50 euros por pessoa.

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Il teatro romano di Vallebuona, Volterra

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Il teatro romano di Vallebuona

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Acropoli Etrusca, Volterra

De volta ao centro da cidade, comemos algumas fatias de pizza e saímos em busca do cenário do filme Lua nova. Descobrimos, no entanto, que apesar da história ter sido escrita com aquele cenário, o filme foi feito em Montepulciano. E recusa em ceder a cidade para cenário hollywoodiano foi uma posição tomada pela prefeitura como uma resistência ao turismo e superlotação que chegaria em consequência dessa exposição midiática.

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Ruela de Volterra

Quando retornamos à San Gimignanno ainda era dia. Aproveitamos para retornar ao centro e tomar outro gelatto. Visitamos ainda uma galeria de arte chamada San Gimignano 1300, onde encontramos uma maquete da cidade original feita com cerâmica. Impressionante e fiel à cidade antiga.

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De Volterra à San Gimignano

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Maquete em cerâmica da cidade de San Gimignano do ano de 1300

Voltamos ao nosso Agroturismo e repetimos a experiência de jantar do dia anterior. Foi perfeito ter a experiência de seguir todas as etapas que compõem a refeição italiana: entrada, massa, carne, sobremesa e digestivo (chamado de vinho santo, é uma bebida alcoólica bastante doce, que pode ter sabores como um de limão que nos foi oferecido). O pão (feito sem sal na Toscana) e vinho sempre acompanham.

Fechamos o dia com chave de ouro. No dia seguinte, outras paradas toscanas nos esperavam.