TOSCANA: Onde os caminhos são o destino – Primeiro e segundo dia em Florença

Chegada em Florença

Telhados de Florença

Telhados de Florença

Como vínhamos de uma viagem mais longa, incluindo Veneza e Verona, optamos pelo trem para chegarmos à Florença. Saímos de Verona e, em uma hora e meia, chegaríamos ao nosso destino se não fossem alguns contratempos. Deixamos para alugar o carro apenas na saída de Florença, uma vez que lá a maioria dos passeios se resumiria à parte mais histórica da cidade, onde é restrita a circulação de veículos.  

Chegamos à Florença na tarde de 14 de maio, era uma quarta-feira e ficaríamos até domingo. Fomos pela companhia Trenitália e desembarcamos na estação Firenze Campo di Marte, perto do centro histórico de Florença. Ao embarcar em Verona não passamos por nenhuma fiscalização. Entramos e nos direcionamos para nossas poltronas, previamente escolhidas que, para nosso espanto, já estavam ocupadas por outras pessoas.  Apesar do aborrecimento, resolvemos sentar ao lado de outras janelas que nos permitiriam desfrutar da mesma vista, aproveitando que o vagão estava um pouco o vazio. Algum tempo depois, a fiscal do trem passou conferindo os bilhetes. Pela cara que ela fez, percebi que tinha acontecido algum problema. Já estava me preparando para falar que se estávamos no lugar errado era porque tinham roubado nossas poltronas, quando então ela disse que a nossa passagem estava datada para o dia seguinte. A nossa expressão de susto deve ter sido tão visível que ela resolveu perdoar a multa que nos aplicaria por estarmos ali sem bilhetes, sob a condição que descêssemos na próxima estação e comprássemos um novo trecho. Muito agradecida à simpática moça e envergonhada por ter pensado mal das pessoas que tinham sentado nos “nossos lugares”, descemos em Bologna e compramos novas passagens. A nossa sorte é que essa é uma região de fluxo intenso, entre Roma e Milão. Os trens são bastante frequentes. Com isso, descobrimos também que é possível deixar para comprar passagens antes do embarque, apesar de achar meio arriscado. De qualquer forma, não há variação de preços.

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Rumo à Florença, de trem.

Depois de todo esse transtorno, chegamos a Florença e nos direcionamos ao hotel. Resolvemos ir andando, pois achávamos que era uma distância que dispensava táxi ou qualquer transporte público.

O hotel ficava a mais ou menos 1,5 km de distância da ferroviária, mas o sol estava tão forte, as malas tão pesadas e o estresse tão nas alturas, que a cada passo dado o arrependimento ia só aumentando. Pior ainda, o percurso era tão estranho que não passava nenhum transporte ou táxi que poderíamos pegar.

Após esses contratempos, cheguei tão exausta ao quarto do hotel que não conseguia pensar em nada, desabei na cama. Ao anoitecer e já recuperada, saímos para jantar.

Por um feliz acaso, nessa noite comemos a famosa e tão esperada Bistecca alla Fiorentina, na Trattoria al Vecchio, escolhida pela bela fachada e pela animação dos clientes. Essa foi, sem dúvida, uma das melhores experiências gastronômicas da viagem. E olha que falamos de Florença, uma referência na gastronomia italiana. A trattoria fica localizada em frente ao Mercato Centrale e proporciona um ambiente bonito, romântico, aconchegante e rústico, cuidadosamente decorado. O atendimento é simpático e cuidadoso, embora seja um pouco lento (poucos garçons). A comida é o destaque, simplesmente deliciosa. A Bistecca alla Fiorentina estava perfeita, assim como o ravioli ao molho de gorgonzola. Para acompanhar, pedimos duas taças de vinho do Chianti. Encerramos com uma torta maravilhosa (torta da nona), que coroou nosso jantar. Uma experiência perfeita, um belo restaurante na Toscana.

Pequenos detalhes: há mesas externas, mas o interior do restaurante merece a escolha. É sempre recomendável fazer reserva, embora não tenhamos tido problemas para conseguir uma mesa sem. A Bistecca alla Fiorentina para 02 pessoas (1Kg) custa 44 euros, enquanto que a para 01 pessoa custa 22 euros (500g). Achei o restaurante imperdível e fiquei me controlando para não voltar lá todos os dias.

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Bistecca alla fiorentina, prato típico da gastronomia toscana

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Ravioli ao molho de gorgonzola

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Torta da Nona

Esse é apenas o primeiro dia na Toscana. Muitas descobertas estavam a nossa espera. No próximo post falarei sobre a programação seguida em Florença.

HOTEL: Ficamos hospedadas no Hotel Fedora, na borda do centro histórico. O preço estava razoável pela localização, já que nos permitiria fazer os passeios andando. Ficamos contentes por ter encontrado disponibilidade, visto a enorme demanda da cidade. De fato, só usamos um ônibus durante os quatro dias, para irmos à Praça Michelangelo. O outro ponto positivo do hotel era o café da manhã, com pães e bolos feitos no local. A limpeza do hotel era impecável, acredito que seja seu ponto forte, ao lado da localização. O nosso quarto era silencioso e limpo. O atendimento foi bom e todos eram muito solícitos. No entanto, a instalação do hotel é confusa, fica no primeiro andar de um prédio comercial, acessível por elevador. A decoração é descuidada, os móveis parecem aleatoriamente dispostos. Por exemplo, há várias caixas de papelão no salão de café da manhã, local amplo que poderia ser melhor decorado. Os quartos do segundo andar, onde ficamos, eram grandes, mas o teto era baixo, o que tornou o ambiente um pouco sufocante. Os armários do quarto eram mal conservados, fato que prejudicou o ambiente. O banheiro era antigo, com aparência também ruim, embora fosse limpo. Com um pouco mais de capricho, seria um belo hotel, tem muito potencial. Dos hotéis que ficamos nessa viagem, esse foi o que menos gostamos.

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Recepção do hotel

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Quarto do hotel

Segundo dia em Florença

A primeira providência do dia foi a compra do Firenze Card, pelo valor de €72,00 e duração de 72 horas. Achamos um pouco caro, mas tem uma boa relação custo-benefício. Primeiro porque não precisaríamos fazer reserva com antecedência para entrar nos museus e nem enfrentar filas. Sim, os museus de Florença são completamente lotados e formam filas quilométricas. É de assustar! Segundo porque o cartão cobre também o transporte público e dá acesso à internet. Tudo bem que esta não funcionava em todos os lugares e era um pouco lenta, mas o mais importante mesmo é que o cartão possibilita a entrada a 99 % dos museus, igrejas e galerias da cidade… e são muitos!!! Tanto quanto conseguíssemos visitar. São 72 horas repletas de arte renascentista e arquitetura de impressionar. E como nossa intenção não era somente passar pela frente dos prédios e monumento, mas fazer visitas internas, o cartão se apresentou como a melhor opção. Queríamos também mais comodidade e otimizar nosso tempo. Enfim, não nos arrependemos e fizemos valer o que gastamos nessa compra.
Começamos pelo Palazzo Medici Riccardi, a primeira casa dos Médicis. Assim, poderíamos ir acompanhando o aumento da influência e do poderio da família na medida em que ela ia mudando-se, primeiro para o Palazzo Vecchio e depois para o Palazzo Piti. Fizemos as visitas exatamente nessa ordem.

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Um dos salões do Palazzo Medici Riccardi

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Outro salão do Palazzo Medici Riccardi

Saindo do Palazzo Medici Riccardi, fomos à Piazza del Duomo, há alguns passos dali. Lá se encontram: a Cattedrale di Santa Maria del Fiore, o Campanile di Giotto e o Batisttero de San Giovanni (construção mais antiga da cidade, onde tem um mosaico no teto com algumas imagens representando o julgamento final e as portas de bronze representando o inferno de Dante).

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Cattedrale di Santa Maria del Fiore

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A Campanile di Giotto com a cúpula da Catedral ao fundo.

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Afrescos do Batisttero de San Giovanni com imagens do Juízo Final

A porta de bronze do Batisttero de San Giovanni com representações do Inferno de Dante

A porta de bronze do Batisttero de San Giovanni com representações do Inferno de Dante

Subimos a cúpula da igreja e confesso que foi uma grande provação. A estreiteza das escadas, a ausência de luminosidade e a quantidade de degraus tornam-se quase insuportáveis para quem é um pouco claustrofóbico. Pra mim foi uma superação. No entanto, todo sacrifício foi compensado quando chegamos ao topo. Ver os afrescos da Catedral de pertinho também foi emocionante.

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Afrescos da cúpula da Cattedrale di Santa Maria del Fiore com representações do Juízo Final

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Vista do topo da cúpula da Cattedrale di Santa Maria del Fiore

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O Duomo de Santa Maria del Fiori visto desde o Palazzo Vecchio

Com as pernas bambas e o coração a mil, fomos almoçar no Mercato Centrale. Comemos no Da Nerbone. Comemos uma lasanha a bolonhesa e um sanduiche de rosbife, acompanhados de uma Birra Moretti. O preço também foi muito bom. O Mercado é muito charmoso, tem uma parte mais higienizada e turística no segundo andar, com restaurantes mais sofisticados e modernos. Nós preferimos ficar na parte de baixo mesmo, mas peculiar e com habitantes locais.

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Saindo do Mercatto Centrale, fomos tomar um gelato no Edoardo Gelato Bio, nas proximidades da Piazza Del Duomo. Esse foi simplesmente o melhor sorvete que tomamos em Florença. De lá, fomos ver de perto a famosa estátua de Davi, na Galleria dell’Accademia. Consegui tirar uma foto as escondidas. Inclusive, percebemos que os fiscais dos museus italianos não controlam muito a infração dessa norma de proibição das fotos. Os flashes são generalizados por lá. Vimos outras exposições e fomos embora. O museu não é relativamente pequeno, tornando a visita bem tranquila.

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Davi de Michelangelo, na Galleria dell’Accademia

Depois passeamos pela Piazza Santo Spirito e seguimos para às margens do rio Arno, onde apreciamos um lindo por do sol de frente para a Ponte Vecchio.

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Piazza Santo Spirito

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Por do sol no rio Arno

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Por do sol no rio Arno, de frente para a Ponte Vecchio

Nas proximidades, avistamos o bar San Carlo, bastante convidativo e com música louge (Via Borgognissanti 32). Ele funcionava como muitos bares em Florença, oferecendo um buffe de frios somente pelo custo da bebida durante o happy hour.

No dia anterior tínhamos marcado um jantar na Trattoria Sostanza e nos direcionamos para lá. O que não sabíamos era que o restaurante não aceitava cartão de crédito e estávamos sem dinheiro em espécie naquele momento. Aliás,muitos restaurantes na Itália não aceitam cartão, tanto nas grandes cidades como Roma, Veneza e Florença, como nas pequenas, Cortona,Montalcino e Montpulciano, por exemplo. Felizmente tinha um ótimo restaurante nas redondezas e podemos assim encerrar nosso dia.