BRUXELAS: Flores, chocolates e cervejas – PRIMEIRO DIA

Saindo de Paris

Nossa viagem a Bruxelas aconteceu entre 15 e 17 de agosto de 2014. Fomos de trem pela empresa Thalys, saindo da Gare du Nord – Paris. As passagens custaram, individualmente, €74 ida e volta. Para embarcar não foi necessário a impressão dos bilhetes, apenas mostramos as passagens eletrônicas pelo celular. O percurso levou uma hora e vinte minutos, com tranquila chegada na Gare de Bruxelles – Midi.

Quando compramos as passagens no site da SNCF Voyages, os bilhetes de primeira classe estavam com o mesmo valor daqueles de segunda. Foi uma chance ímpar para viajarmos de trem com todo conforto. Como só tínhamos viajado anteriormente de segunda classe, notamos algumas diferenças. Por exemplo, o tamanho e o conforto das poltronas, a internet sem custos adicionais e o serviço de bordo, com café da manhã dotado de várias opções de bebidas, viennoiseries (especialmente croissant e pain au chocolat) e tortas.

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Quando chegamos à estação Midi, às 10h20, compramos, cada uma, um ticket de metrô em uma máquina automática, com direito a dez trajetos (o ticket de 10 trajetos era individual e custou €14). Esse ticket foi suficiente para nos locomovermos pela cidade durante os três dias de viagem, tendo nos permitido andar de metrô e tramway, visto que os sistemas eram interligados. Achamos um pouco confuso, mas conseguimos decifrar aos poucos o funcionamento das linhas.

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Nosso primeiro dia em Bruxelas

Saindo da Gare Midi, fomos direto à Grand-Place (estação Bourse). Afinal, o grande motivador da nossa viagem à Bruxelas era o Tapete de Flores da Grand-Place, ornamentado bianualmente. O primeiro Tapete de Flores foi ali exposto em 1971, tendo como tema os arabescos ornamentais. A atual edição, de número 19, celebrou o aniversário da imigração turca na Bélgica e, inspirado nos famosos Kilims (tapetes turcos, geralmente utilizados para orações), formaram um espetáculo visual impressionante.

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Tapete de begônias na Grand-Place de Bruxelas

O tapete contou com 1.800 metros quadrados de begônias e continha mais de 300 flores por metro quadrado.

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Zoom no tapete de begônias

As begônias são cultivas na Bélgica desde 1860. Atualmente o país produz 60 milhões dessa flor por ano, sendo que 80% da produção é reservada à exportação. As flores começam a ser semeadas no fim de janeiro e, ao longo do verão, as melhores são selecionadas para compor o tapete na Grand-Place.

 Quando cheguei à praça e me deparei com o deslumbrante tapete colorido de begônias, geometricamente organizado, fiquei completamente maravilhada, sem saber se olhava para ele ou para o conjunto arquitetônico ao redor. Entre os prédios de destaque da Grand-Place estão: o Hotel de Ville (Prefeitura de Bruxelas), uma construção do século XV; o Musée de la Ville de Bruxelles; w as Casas de Corporações (La Louve, Le Cornet, Le Cygnes, L’Arbre d’or). Um detalhes bastante curioso: em frente a Casa Le Cynes, existe uma placa informando que Karl Marx esteve lá no ano de 1847, onde passou a noite de passagem do ano.

Como ainda estávamos com as malas, resolvemos sair daquele tumulto e voltar depois com mais tranquilidade para enfrentar a fila do balcão do Hotel de Ville, de onde é possível apreciar o tapete por um ângulo melhor.

Nos direcionamos então ao famoso Manneken Pis, que também estava bastante cheio. Esta estátua de um menino fazendo xixi em cima de uma fonte foi criada por Jérôme Duquesnoy em 1619. No entanto, essa não é a estátua original, a qual se encontra no Musée de la Ville de Bruxelles. Sempre que tem um evento nacional ou local a estátua é vestida em comemoração.

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Depois da surpresa com o tamanho mínimo da estátua e com a roupa lindinha com a qual o vestiram, sentamos em um bar ao lado para provarmos nossas primeiras cervejas belgas da viagem. O bar, que se chama Poechenellekelder (Rue du Chéne, 5), é lindo, bem decorado e com cervejas especiais (em breve texto especificamente sobre as cervejas belgas).Tocavam músicas antigas, estilo rock e blues americanos da década de 1950, tendo muitas marionetes penduradas nos tetos, paredes com desenhos rústicos da cidade, em homenagem sobretudo ao seu vizinho Manneken Pis. Tomamos três cervejas pelo valor de 10 euros.

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Saímos do bar e fomos almoçar no restaurante Le Cercle des Voyageurs, localizado na mesma rua. O ambiente era muito agradável, tocava música brasileira, incluindo Ile Aiyê na voz de Caetano Veloso. No cardápio, tinha a opção de Moqueca do Brasil, que nos conquistou à primeira vista.  Após meses sem comer uma boa moqueca, nos pareceu uma oportunidade. A decoração era muito original, com malas de couro cobrindo as paredes e atraindo a visita de muitas pessoas que entravam apenas para fotografar. O ambiente era descontraído, descolado e moderno, com pratos de vários lugares do mundo, sempre com toques contemporâneos. Os funcionários eram simpáticos, mas nosso atendimento foi bastante lento e ineficiente. Como estávamos esperando o horário do check-in no nosso hotel e como estava chovendo, não achamos desagradável a espera.

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Pedimos um porco assado estilo japonês, acompanhado com arroz ao curry, e uma moqueca de peixe brasileira, custando €18 e €17, respectivamente. A cerveja Hoogarden custou €2,40 (33cl.). No total, para duas pessoas, gastamos €37,50.

Saímos do restaurante, pegamos um metrô e fomos para o hotel, que também estava lotado. Enfrentamos uma demorada fila para o check-in. Depois de mais essa provação, saímos andando em direção ao Centre Belge de la Bande Dessinée, museu de desenhos em quadrinhos localizado em um prédio Art Nouveau, projetado pelo conceituado arquiteto belga Victor Horta em 1906. O museu é bem organizado e possui um rico acervo. Eu que não sou uma aficionada em quadrinhos achei a visita muito interessante. A entrada individual custou €8 (adulto).

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Após visitar o museu, fomos à Cathédrale Saint Michel et Sainte Gudule. De estilo gótico, a catedral impressiona pelo tamanho e beleza, embora seja menos imponente e trabalhada do que a Notre-Dame de Paris. A entrada é gratuita e fica próxima ao museu de quadrinhos.

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Faixada da Catedral

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Vitrais da Catedral

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Interior da Catedral

Em seguida, fomos às Galeries Royales Saint-Hubert, construída no ano de 1847, divididas em Galeria do Rei, Galeria da Rainha e Galeria do Príncipe. Muito longas e com uma beleza monárquica, são as primeiras galerias cobertas da Europa, as quais foram projetadas pelo arquiteto Jean-Pierre Cluysenaar. Elas possuem atualmente lojas de grife, incluindo chocolates, rendas, bolsas, sapatos e design, além de alguns cafés, um teatro e um cinema.

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Nas Galerias, compramos alguns chocolates para degustar, como uma caixinha de 250g da Neuhaus (marca depois eleita nossa favorita), a qual custou €16 euros. Também compramos uma barra pequena de chocolate ao leite da Corné Port-Royal por €3,20 (marca segunda colocada na nossa classificação).

Visitadas as galerias, seguimos para provar uma batata frita de rua e, por acaso, paramos no Chez Papy, localizado na movimentada praça em frente às galerias. Ali, após saboreamos uma farta porção de batata, chegamos à conclusão de que esse prato tradicional da cidade honra a fama. O pacote menor, que era enorme, custou €3,10. A batata estava muito saborosa, crocante por fora, grossa e com o centro bem macio. Memorável.

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Depois de passear um pouco pelas redondezas, sentamos no tradicional bar À La Mort Subite e provamos outras cervejinhas. O bar tem um salão enorme com o pé direito alto, decoração art nouveau, grandes espelhos, mesas próximas umas às outras, além de posters e fotos antigas fixadas nas paredes, dando ao local um toque vintage. Os garçons eram mais velhos e muito simpáticos, contribuindo com a atmosfera de bar tradicional. O ambiente era tranquilo, com muitos turistas de uma faixa etária mais elevada em comparação ao Bar Delirium (visitado posteriormente). Tomamos quatro cervejas (25cl.) pelo valor de €16,70.

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À noite voltamos à Grand-Place para assistir ao espetáculo de fogos, mas não chegamos a presenciá-lo. Jantamos no Thai Talks, um restaurante tailandês que encontramos pelo caminho.  Achamos o serviço extremamente lento, era um restaurante familiar com cozinha pequena e aberta, ocupada por uma pessoa encarregada de preparar todos os pratos. A chef, uma animada tailandesa, cozinhava freneticamente. Apesar da longa espera, os pratos surpreenderam positivamente, soberbos! O preço também foi ótimo, €21,50 para duas pessoas, incluindo uma cerveja tailandesa. Pedimos dois pratos: um Pad Thai de frango e um camarão ao curry vermelho.

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 Muito cansadas, resolvemos nos recolher no hotel e descansar para o dia seguinte de viagem.


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